Deve-se relembrar as palavras de Durston (2001), que já foram acima pontuadas, segundo o qual, nem desenho de programas de capacitação, nem formação de equipes sinérgicas são suficientes para garantir impacto significativo e sustentável sobre um ciclo vicioso, porque os efeitos podem acabar se extinguindo. Por isto a importância das articulações em rede.
Outro ponto importante trata da crítica de Abramovay (2000), para quem enquanto for visto como base de produção agrícola o destino rural raramente vai diferenciar-se do esvaziamento político e cultural. Apenas se encarado como base de um conjunto diversificado de mercados potenciais, os horizontes do meio rural podem ser ampliados. O desafio estaria em dotar as populações de capital social, das prerrogativas para que sejam as protagonistas do desenvolvimento do território (ABRAMOVAY, 2000).
Nisto a análise aqui desdobrada compartilha da visão de Durston (2001), para quem as agências de desenvolvimento acabam ganhando a responsabilidade de gerar capacidade de negociação, de incutir atores sociais e servir de apoio de urgência as associações em momentos de crise externa e interna. Como lembra o autor, a estratégia é aplicar o capital social dos atores pobres na produção de um impacto sobre o sistema sociopolítico e econômico, provocando uma transição para um sistema mais equitativo. Sendo assim, vale que o IDENE faça uma profunda reflexão autocrítica sobre os efeitos reais que tem promovido através do PCPR, e, mais do que isto, e que continue a empenhar-se para que as reformas institucionais em que se insere não retratem apenas a lógica do “vinho velho em garrafas novas” (PUTNAN, 1996).