CAMINHOS DO JEQUITINHONHA: ANÁLISE DO PROJETO DE COMBATE Á POBREZA RURAL

Marcela de Oliveira Pessôa

II. As onhas do jequi

Este Vale fedeu biba no tempo dos coronéis
Era uma vez “vai tourando”, fortalezas e quartéis
Os dedos caíram todos, mas inda vivem os anéis […]
No jequi tem, no jequi tem... No jequi tem onha.
 No meio das onhas do jequi, tem muita vergonha […]
(Gonzaga Medeiros)

No capítulo anterior foi apresentada a contextualização das políticas sociais no âmbito nacional, tracejando como elas transitaram de um modelo tecnocrático top down, em que o desenvolvimento alijou parcelas significativas da população, para um novo modelo que, supostamente, visa se referenciar numa gestão de múltiplos atores a partir da participação democrática e cidadã. Nesse novo marco das políticas públicas, que propõe contemplar o desenvolvimento a partir do local e sob aquelas bases democrático-participativas, várias são as institucionalidades que tem buscado se atualizar para com os novos pressupostos, em busca da melhoria da qualidade de vida das populações a que servem.
Traduzindo do âmbito nacional para o local, o presente capítulo virá discorrer sobre a particular realidade do Vale do Jequitinhonha, região ao mesmo tempo rica e marginalizada que reproduz a ordem sociopolítica até aqui esboçada. O capítulo visa situar a experiência da região no marco transitório anteriormente apontado e apresentar o IDENE e o PCPR, instituição e projeto que se julgam críticos ao modelo de desenvolvimento passado e projetores de uma nova experiência político-administrativa. Com interesse de proporcionar uma sequência didática, primeiro será categorizada a realidade jequitinhonhesa para, então, situar a instituição no seu devido momento histórico.

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