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Gestão das microempesas do comércio de Sousa – Paraíba
Maria de Fátima Nóbrega Barbosa
ÁREAS FUNCIONAIS DAS EMPRESAS COMERCIAIS
A Função Contábil-Financeira
A contabilidade representa uma função de fundamental importância numa pequena empresa. Não é necessário que o dono (a) de pequena empresa saiba em profundidade sobre contabilidade. Entretanto, carece de conhecimentos mínimos nessa área para que possa tomar decisões coerentes com a sua postura estratégica.
De acordo com Longenecker et al. (2004) é imprescindível que os donos de empresas entendem bem o processo contábil de suas empresas, que compreendam os demonstrativos financeiros e assim possam decidir que métodos contábeis trazem mais vantagens para suas empresas.
Segue algumas considerações sobre as atividades contábeis em pequenas empresas tomando por base o autor supracitado.
Um dos requisitos básicos para sistemas contábeis é que as pequenas empresas devem ter pelo menos demonstrativos financeiros mensais gerados por computadores. Os sistemas contábeis para pequenas empresas precisam observar os seguintes objetivos: gerar um quadro exato e completo dos resultados operacionais; permitir comparações rápidas de dados correntes com resultados operacionais de anos anteriores e com metas orçamentárias; fornecer demonstrativos financeiros para uso de bancos e credores; facilitar o preenchimento de relatórios e declarações de impostos para órgãos governamentais e de arrecadação de impostos; revelar fraudes, roubos, desperdícios e erros de lançamentos contábeis causados por funcionários.
Outro requisito é observar os princípios contábeis. Princípios como conservadorismo, consistência, transparência, dentre outros, precisam ser observados com bom senso pela pequena empresa.
A qualidade e a disponibilidade dos registros contábeis devem ser estruturadas no sentido de darem suporte para o controle administrativo da empresa. São imprescindíveis os seguintes registros: registros de contas a receber; contas a pagar; estoques; folha de pagamento; caixa; ativo fixo, dentre outros.
Ao selecionar sistemas e métodos de contabilidade a pequena empresa pode optar pelas seguintes opções de acordo com Longenecker (2004).
Contabilidade de caixa – É um método onde as transações são reconhecidas apenas quando o dinheiro é recebido ou o pagamento é efetuado.
Método de contabilidade acumulada – É o método que faz correspondência de receita quando estas são recebidas contra as despesas associadas a tais receitas.
Segundo o autor supracitado, o método de contabilidade de caixa é mais fácil de usar. Muitas vezes é o método escolhido pelas empresas muito pequenas e por empresas onde os recebíveis agem lentamente trazendo problemas de caixa. Sua limitação está no fato de não apresentar correspondência exata de receitas e despesas. Quanto ao método da contabilidade acumulada tem a vantagem de evidenciar de forma mais concreta a lucratividade da empresa dentro do período contábil.
Sistema de partidas simples – É um sistema de contabilidade que está interessado apenas em recebimentos e desembolsos. É um tipo de sistema ainda encontrado em empresas muito pequenas. Não é indicado para as empresas que estão em processo de crescimento, ele não leva em consideração o balanço patrimonial e também não gera demonstração de resultado.
Sistema de partida dobrada – É um sistema de contabilidade que utiliza diários e livros-razão e exige que cada transação seja registrada de forma dupla nas contas, por isso o nome de partida dobrada. Vantagens desse sistema: se não houver erros os registros de débitos serão sempre iguais aos registros de créditos; a forma como as transações são registradas tornam os demonstrativos financeiros completos.
Os demonstrativos financeiros representam valiosa fonte de informações sobre as operações da empresa. São eles: demonstração de resultado; balanço patrimonial e demonstrativo de fluxo de caixa. Segue breve explanação de cada um deles tomando por base Longenecker et al. (2004).
Demonstração de resultado – É um demonstrativo financeiro que mostra o lucro ou prejuízo da empresa durante um determinado período de tempo. A fórmula utilizada para expressar a demonstração de resultado é:
Vendas – Custos para produzir ou adquirir um produto ou serviço = Lucro bruto – Despesas operacionais (despesas de marketing e vendas e despesas gerais e de administração) = Lucro operacional (renda antes de juros e impostos) – Despesas de juros = Lucros antes de impostos – Impostos = Lucros após impostos.
Balanço patrimonial – Demonstrativo financeiro que mostra os ativos e passivos da empresa num ponto específico do tempo.
Os elementos que fazem parte do balanço patrimonial são: ativo circulante; ativo fixo ou a longo prazo e, quaisquer outros ativos utilizados pela empresa.
Demonstrativo de fluxo de caixa – É o demonstrativo financeiro que apresenta as variações ocorridas na posição de caixa da empresa ao longo de um determinado período de tempo.
Os principais fluxos de caixa são: fluxos de caixa gerados pelas operações; fluxos de caixa gerados por atividades e investimentos e fluxos de caixa gerados por atividades de financiamento. Veja como os fluxos se comportam através da figura abaixo:
Figura 1 – Uma visão geral do demonstrativo de fluxo de caixa.
Fonte: Longenecker e outros (2004: p. 529).
Para uma compreensão melhor dos dados extraídos dos demonstrativos financeiros faz-se necessário representá-los através de índices. Os índices permitem apontar os pontos fortes e fracos da área financeira da empresa. Os principais índices que devem ser observados pela pequena empresa são: índice de liquidez corrente, índice de liquidez seca, prazo médio de recebimento, giro de contas a receber, giro do estoque, taxa de retorno do lucro operacional sobre investimento, margem de lucro operacional, giro do ativo total, giro do ativo fixo, índice de endividamento e índice de vezes de juros ganhos. Segue definição de cada um desses índices.
Índice de liquidez corrente. Mede a liquidez relativa da empresa.
Índice de liquidez corrente =
Índice de liquidez seca. Medida da liquidez que exclui estoques
Índice de liquidez seca =
Prazo médio de recebimento. Tempo médio que se demora para receber os itens de contas a receber.
Prazo médio de recebimento =
Giro de contas a receber. O número de vezes que as contas a receber são “giradas” no período de um ano.
Giro de contas a receber =
Giro do estoque. Número de vezes que o estoque “gira” durante um ano.
Giro do estoque =
Taxa de retorno do lucro operacional sobre investimento. Uma medida dos lucros operacionais em relação ao ativo.
Taxa de retorno do lucro operacional sobre investimento =
Margem de lucro operacional. Lucro derivado das operações da empresa, dividido pelas vendas da empresa.
Margem de lucro operacional =
Giro do ativo total. Medição da eficiência com a qual os ativos da empresa estão sendo usados para gerar vendas.
Giro do ativo total =
Giro do ativo fixo. Proporção entre vendas e ativo fixo.
Giro do ativo fixo =
Índice de endividamento. Percentual dos ativos de uma empresa que são financiados por empréstimos.
Índice de endividamento =
Índice de vezes de juros ganhos. Relação entre lucro operacional e despesas de juros.
Índice de vezes de juros ganhos =
Retorno sobre capital investido (retorno sobre patrimônio líquido)
Retorno sobre patrimônio líquido =
Esses índices são de fundamental importância para responder sobre o desempenho financeiro da empresa, facilitando assim, a tomada de decisão empresarial. A pequena empresa precisa ter consciência desses fundamentos para sua sustentabilidade no longo prazo.
Tomando como ponto de vista Kwasnicka (1995) a área de Finanças tem passado por muitas transformações ao longo dos anos. Antigamente seu objetivo maior era com a obtenção de fundos. Depois centra sua atenção em como usar esses fundos, dessa forma era imprescindível trabalhar com procedimentos que levassem a uma análise mais profunda da empresa, com o intuito de concentrar-se no fluxo de fundos correspondentes. Hoje, porém, sua preocupação maior está ligada ao processo decisório e as estratégias que tenham impacto no valor de mercado da empresa.
Segue algumas considerações sobre o conceito de fluxo de caixa e seus objetivos tomando por base Zdanowicz (1991), uma vez tratar-se de um instrumento de fundamental importância para auxiliar na tomada de decisão de qualquer dono de negócio.
O autor citado anteriormente chama a atenção para o conceito de fluxo de caixa do ponto de vista da administração financeira, uma vez que a mesma utiliza o mesmo no sentido de promover uma gestão eficaz dos recursos financeiros da empresa. Dessa forma, o fluxo de caixa é o instrumento que relaciona o conjunto de ingressos e de desembolsos de recursos financeiros, pela empresa em determinado período.
Quanto aos objetivos do fluxo de caixa o autor faz menção ao objetivo básico e enumera outros objetivos, também importantes, e que devem ser observados no gerenciamento das empresas. O objetivo básico diz respeito à projeção das entradas e saídas de recursos financeiros para determinado período, indicando como a empresa deverá investir e onde obter financiamento. Outros objetivos seriam: saber quanto a empresa dispõe de recursos financeiros para as suas operações gerais, bem como o quantitativo utilizado nas suas transações econômico-financeiras; utilizar de forma efetiva, ou seja, eficiente e eficaz os recursos financeiros disponíveis na empresa; planejar e controlar os recursos financeiros da empresas através de informações valiosas obtidas na própria operacionalização da empresa, como: projeções de vendas, produção e despesas operacionais, prazos médios de rotação de estoques, de valores a receber e valores a pagar; cumprir com as obrigações na data do vencimento perseguir o equilíbrio entre ingressos e desembolsos de caixa da empresa; escolher de forma racional as fontes de financiamento quando da necessidade da empresa; gastar com prudência quando é baixa a entrada de recursos, dentre outros. Em contabilidade será dada ênfase aos controles internos inerentes ao funcionamento satisfatório dessas empresas.
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