Observatorio Economía Latinoamericana. ISSN: 1696-8352
Brasil


GESTÃO CONTÁBIL NA PEQUENA EMPRESA: ANÁLISE DE GESTORES DA CIDADE DE HORTOLÂNDIA – SP

Autores e infomación del artículo

Renate Vânia Würzler de Oliveira Pinheiro Cangussú

Helena Brandão Viana (CV)

Levi Morgan

Edilei Rodrigues de Lames

Eli Andrade Rocha Prates

Alexandro Landim

UNASP-HT

hbviana2@gmail.com

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RESUMO:

Uma das ferramentas de primordial importância é a condução dos negócios através do controle de uma boa Gestão Contábil. Mas, percebem a relevância da contabilidade para a gestão de seus empreendimentos os gestores das micro e pequenas empresas da região de Hortolândia, localidade em pleno crescimento econômico? Em busca de uma resposta para esta questão o presente estudo teve como objetivo analisar a relevância da contabilidade para tais gestores, verificando se eles consideram importante a Contabilidade para que as Micro e Pequenas Empresas sejam perenes, se observam quais são os fatores que contribuem para a longevidade de uma organização, compreendendo se eles estão relacionados com a gestão contábil e avaliando se as empresas que fazem uso deste instrumento estão mais fundamentadas que aquelas que não o utilizam. Para tanto, foi aplicada uma pesquisa, utilizando-se um questionário com 23 questões, compreendendo 75 gestores da referida região. Verificou-se em tais gestores pouco conhecimento nesta área, ocorrendo em suas empresas a subutilização do fluxo de informações e a distorção na priorização das ferramentas e controles contábeis. Concluiu-se que há necessidade de um maior aprofundamento nesta ciência e a utilização exata de suas informações para a garantia de uma boa gestão e a perenidade de seus empreendimentos.
Palavras-chave: Gestão Contábil, Pequena Empresa, Empreendedor,

ACCOUNTING MANAGEMENT IN SMALL BUSINESS: ANALYSIS OF MANAGERS IN HORTOLÂNDIA – SP

ABSTRACT:

One of the tools of primary importance is the conduct of business by controlling a good Accounting Management. But do they realize the importance of accounting for the management of their enterprises managers of micro and small businesses in Hortolandia region, locality in full economic growth? In search of an answer to this question this study aimed to analyze the relevance of accounting for such managers, making sure that they consider important to Accounting for Micro and Small Enterprises are perennial, are observed which are the factors that contribute to longevity of an organization, including whether they are related to accounting management and assessing whether companies that make use of this instrument are more informed than those who do not use it. For this purpose, a survey was applied, using a questionnaire with 23 questions, including 75 managers in that region. It was found in such managers little knowledge in this area, occurring in their businesses to underutilization of information flow and distortion in the prioritization of tools and accounting controls. It was concluded that there is need for further clarification on this science and the exact use of your information in ensuring proper management and sustainability of its projects.

Keywords: Accounting Management, Small Business, Entrepreneur.


Para citar este artículo puede uitlizar el siguiente formato:

Renate Vânia Würzler de Oliveira Pinheiro Cangussú, Helena Brandão Viana, Levi Morgan, Edilei Rodrigues de Lames, Eli Andrade Rocha Prates y Alexandro Landim (2016): “Gestão contábil na pequena empresa: análise de gestores da cidade de Hortolândia – SP”, Revista Observatorio de la Economía Latinoamericana, Brasil, (marzo 2016). En línea: http://www.eumed.net/cursecon/ecolat/br/16/gestores.html

http://hdl.handle.net/20.500.11763/br-16-gestores


INTRODUÇÃO

Ter um negócio próprio é o sonho da maioria das pessoas. Em busca deste sonho, é grande o número de empresas que abrem suas portas todos os anos, aumentando o volume das Micro e Pequenas Empresas. Porém, ao mesmo passo que elas abrem, após certo período, elas também fecham suas portas, por não conseguirem gerir corretamente seus negócios. Para isso é necessária a elaboração de estratégias de controle para a sobrevivência das Micro e Pequenas Empresas. A Microempresa, comumente chamada ME, e a Pequena Empresa são “pessoas jurídicas” que gozam de tratamento especial no que tange ao recolhimento dos impostos. Essas empresas podem optar pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte, conhecido como Simples/Federal, introduzido a partir de em 1997, pela Lei nº 9.317, de 1996 (RECEITA, 1996).
De acordo com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, (SEBRAE) para que haja sucesso em um empreendimento, não há como desperdiçar tempo ou energia quando se é dependente da conjuntura econômica, social ou política em que se está inserido. É fato que, para uma boa administração, é imprescindível, entre outras coisas, um bom planejamento em todos os âmbitos da entidade. Em um bom planejamento há que se levar em conta a parte contábil (SANTANA, 2007).
Neste sentido há boas notícias, de acordo com pesquisas do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE). Conforme o estudo dos Fatores Condicionantes e Taxas de Sobrevivência e Mortalidade das Micro e Pequenas Empresas do Brasil, em uma comparação entre os anos 2002 e 2005, houve um aumento no índice das pequenas empresas brasileiras que sobrevivem pelo menos dois anos, passando de 51% para 78%. O ambiente propício para isso foi criado em parte pela redução dos juros e da inflação e pelo aumento de crédito e de consumo na economia brasileira. Dentre outros fatores a preocupação com o planejamento nas empresas passou de apenas 24% para 71% neste mesmo período. E tudo isto melhora significativamente a gestão empresarial (SANTANA, 2007).
O Sistema Simples/Federal (RECEITA, 1996) foi introduzido a partir de 1997, pela Lei nº 9.317, de 1996. O SEBRAE explica que este sistema se propõe a desburocratizar a tributação para as Micro e Pequenas Empresas (MPE), unificando seis tributos federais, um tributo estadual e outro municipal, reduzindo a carga tributária. Como a nomenclatura sugere – “SIMPLES” – pode exercer efeito subliminar sobre o administrador despreparado, porque sugere “conforto na administração”. Dessa forma, essa falsa segurança na administração pode levar o negócio ao insucesso (RAMOS, 2012).
Em face de tantas variáveis que influenciam diretamente no resultado final, torna-se necessário e imprescindível um fluxo de informações gerenciais bem fundamentadas e sob controle racional dos administradores. De acordo com Santana (2011), a contabilidade deve ser usada como suporte para a direção administrativa. Através dos resultados de seus cálculos ela ajuda no planejamento estratégico, dando aos gestores das empresas que a utilizam parâmetros para a tomada de decisões, pois dá demonstrações da situação econômico-financeira da entidade. O autor ainda menciona que “é ponto vital compreender a importância da Contabilidade nas micro e pequenas empresas” (SANTANA, 2011, p. 19). Logo, contabilidade de custos é indispensável para a administração de qualquer negócio
Segundo Henrique (2008), a contabilidade gerencial é extremamente importante para empresas de qualquer porte, sendo, porém, vital para as pequenas e médias empresas. O sistema de contábil, que é integrado às demais atividades da empresa, trará um planejamento financeiro mais bem elaborado e confiável, tornando a administração empresarial sólida e bem-sucedida.
Sendo a contabilidade uma das ciências utilizadas com subsídio para o controle e condução das transações existentes em uma empresa, é necessário que aqueles que pretendam gerir um negócio tenham ciência da real dimensão da indispensabilidade desta ferramenta no auxílio da gestão empresarial. É preciso saber então se os gestores de empreendimentos de micro e pequeno porte têm percepção deste instrumento como aliado para a perpetuidade de seus negócios e observar as possíveis tendências ou preconceitos da visão deles com relação à utilização da contabilidade na gestão de pequenos empreendimentos.

DESAFIOS DA MICRO E PEQUENA EMPRESA

O pequeno negócio exige os mesmos cuidados que demandam os grandes empreendimentos, pois as características são as mesmas. A concentração de todas as atividades sobre o idealizador do negócio leva-o a exercer todas as funções das equipes e departamentos das grandes empresas, pois todas as atividades recaem sobre o mesmo indivíduo. Golde (1986) afirma que não bastassem os entraves de planejar, produzir, promover e vender os produtos, o único funcionário dessa pequena empresa tem que administrar o fluxo financeiro que é geralmente escasso para os pequenos investidores. A concentração de todas as atividades sobre um mesmo indivíduo pode fazer com que o planejamento seja executado com insegurança e improviso. Assim sendo, a falta de planejamento gerará crises que poderiam ter sido evitadas. Além disso, os diretores de pequenos negócios muitas vezes acham que a intuição é capaz de substituir as técnicas de controle escritas em papel e suportes digitais, concentrando-se apenas no futuro próximo.
Segundo Breda (2011), Micro e Pequenas empresas são definidas como aquelas que não têm obrigatoriedade na prestação de suas contas como também aquelas que fazem suas demonstrações financeiras com o propósito de mostrá-las aos credores, proprietários ou agências de crédito. As Micro e Pequenas Empresas podem ser classificadas tanto de acordo com o valor de seu faturamento anual quanto com o número de seus empregados. Tomando-se como base a Lei Complementar nº 123 (2006), de 14 de dezembro de 2006, que institui o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, elas se enquadram em um faturamento igual ou inferior a R$ 3.600.000,00 (três milhões e seiscentos mil reais). Com relação ao número de empregados o SEBRAE classifica estas empresas como tendo até 99 empregados no segmento da Indústria e até 49 empregados no segmento de Comércio e Serviços (SIMÕES, 2011b).
Lacerda (2003) afirma que as Micro e a Pequenas empresas são importantes no contexto nacional e global, pois representam a maior parte da empregabilidade, considerando a situação numericamente. Podem ser consideradas, em sua essência, como gigantes devido à importância social no contexto da ocupação humana. Nelas pode-se ver o modelo das grandes organizações replicado de maneira simples.
Dados do SEBRAE do segundo semestre de 2011 informam que são criadas mais de 1,2 milhão de novas empresas anualmente no Brasil. Deste montante, mais de 99% são formados por Micro e Pequenas Empresas (MPE’s). São elas que empregam mais da metade dos trabalhadores brasileiros que têm carteira assinada. Diante destes números é possível compreender como a sobrevivência destes empreendimentos é importante para a economia do País. O esforço deve concentrar-se sobretudo nos dois primeiros anos da formação de uma nova empresa, pois esses são os anos mais difíceis. Dados recentes mostram que há um índice de aproximadamente 73% de empreendimentos que sobrevivem aos dois primeiros anos no Brasil (SIMÕES, 2011a).
Segundo Bedê (2004), ao se considerar a totalidade dos empreendimentos, dados concernentes ao estado de São Paulo demonstram uma considerável taxa de mortalidade, onde 60% delas “morrem” antes de completarem cinco anos.

A IMPORTÂNCIA DA CONTABILIDADE

De acordo com Cornacchione Júnior (2008, p. 1), “a contabilidade é a ciência que estuda, interpreta e registra os fenômenos que afetam o patrimônio da entidade”.
O mundo dos negócios passa por uma situação que faz com que os seus gestores estejam no mínimo em uma situação desconfortável: a globalização, as compras on-line, a facilidade na pesquisa de preços, a oferta abundante de produtos e serviços ou a inovação constante dos produtos. Tudo isso faz com que a concorrência seja acirrada. Para conseguir superar todas estas dificuldades é preciso uma qualidade essencial a qualquer empreendimento: competitividade. Sendo que a concorrência é tão grande, há que se lutar para a manutenção da sua permanência no mercado, o que envolve o aprimoramento dos custos para resultar no ganho de produtividade. Para poder competir no cenário atual é necessário, além da qualidade nos produtos e serviços, a oferta de preços finais cada vez menores. A Contabilidade Gerencial poderá fornecer informações que embasarão a tomada de decisões e a agilidade nas ações, ganhos advindos da utilização desta importante ferramenta (CREPALDI, 2004).
A Contabilidade é fundamental na vida econômica. Segundo Crepaldi (2004), das grandes organizações aos pequenos negócios é imprescindível ter a documentação dos custos, dívidas, ativos, passivos ou das negociações. A Contabilidade se torna cada vez mais essencial na intrincada economia moderna. No sentido geral, a Contabilidade envolve a coleta, a exibição e a interpretação dos resultados econômicos. Na Contabilidade Financeira a exposição dos demonstrativos é direcionada aos propósitos externos, como acionistas, credores ou autoridades do Governo. Já a Contabilidade Gerencial tem como fim proporcionar dados aos administradores das empresas para auxílio de suas atividades gerenciais. E a Contabilidade de Custos tem duas funções importantes: a utilização das informações dos custos para auxílio na tomada e decisões e como instrumento na formação dos preços.
A contabilidade se faz necessária em todas as entidades que tenham um patrimônio a ser avaliado, registrado e controlado. Englobam-se nesse conceito todos os tipos de entidades, comerciais ou filantrópicas (sem fins lucrativos), públicas ou privadas, de pessoas físicas ou jurídicas, legalmente constituídas ou não (VELTER; MISSAGIA, 2010).
As informações contábeis são importantes para o público externo, porém sua utilização é de extrema importância internamente. De acordo com Padoveze e Benedicto (2007, p. 77), “a análise econômico-financeira tem por objetivo extrair informações das demonstrações contábeis para ser utilizada no processo de tomada de decisões na empresa”. Estas informações são essenciais no planejamento, controle e tomada de decisão na organização. O objetivo a ser alcançado numa análise econômico-financeira é lançar um olhar panorâmico sobre dois ou mais períodos contábeis, visando a tomada de decisões com segurança e transparência.

A CONTABILIDADE NAS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS

Uma empresa tem obrigatoriedade pública de prestação de suas contas ao ter suas ações negociadas no mercado; ao ter algum grupo de terceiro com seus ativos fiduciários, como bancos ou cooperativas de crédito. Portanto, as micros ou pequenas empresas também devem expor suas demonstrações contábeis para dar informações de sua posição financeira, de seu desempenho e dos seus fluxos de caixa disponibilizadas para a tomada de decisões de seus usuários. Com ela é possível avaliar acontecimentos passados, presentes e futuros. A contabilidade é relevante, pois demonstra a responsabilidade daqueles que estão administrando seus recursos (BREDA, 2011).
A necessidade da Contabilidade para uma melhor tomada de decisões e das demonstrações contábeis pode ser verificada a seguir:

As micro e pequenas empresas sentem grande dificuldade de organizar suas prioridades devido à falta de uma estratégia de negócios eficiente, o que, por vezes, pode levar a entidade a rumos incertos. Grande parte das vezes os empresários não se sentem preparados a tomarem decisões que envolvam principalmente as questões financeiras com medo de adquirir dívidas e não saber as condições adequadas de pagamento, pois têm consciência de que esse tem sido um dos maiores motivos para o encerramento das atividades de grande parte das micro e pequenas empresas no Brasil (FEDATO; GOULART; OLIVEIRA, 2010, p. 4).

Aqueles que administram qualquer empreendimento precisam de um instrumento composto de dados claros e bem compilados forneçam os elementos essenciais que balizarão a decisão certa, e esse instrumento somente a contabilidade pode fornecer. Portanto, fica patente que um bom relatório contábil ajudará com eficiência a administração a fazer as melhores escolhas quanto às alternativas que balizarão os negócios da empresa (MARION, 2012).
Segundo Pucinelli e Pickersgill (2011), um relatório contábil, com informações confiáveis e exatas, é o instrumento principal para o administrador conduzir a empresa aos melhores resultados. Assim fica claro que para administrar e sobreviver no mundo corporativo é necessário ter todos os controles gerenciais bem compilados e traduzidos, e isso a contabilidade fornece com maestria. A moderna administração está em constante mutação, visando maximizar lucros e minimizar prejuízos. Somente relatórios consistentemente elaborados fornecerão informações excelentes para a tomada de decisão e geração de riqueza para todos os envolvidos.
Se as informações forem confiáveis, certamente as decisões serão acertadas e lucrativas. Não basta ter relatórios bem apresentáveis se não forem confiáveis. Neste caso as decisões serão catastróficas, levando o empreendimento ao fracasso total. Se for necessária a terceirização da contabilidade todo cuidado será necessário na contratação desses serviços. Muitos empreendimentos vão à bancarrota porque contadores inexperientes fornecem relatórios bonitos, porém ineficazes. Fica claro, portanto, que um relatório gerencial, deve ser completamente legível ao gestor do empreendimento, caso contrário, a derrota financeira será o resultado final (CANECA et al., 2008).
Segundo Lacerda (2003), a gestão de custos bem planejada e bem dimensionada vai trazer capacidade gerencial e industrial e, sobretudo, segurança na direção do empreendimento. Sendo assim, é recomendada a implantação e o uso das ferramentas gerenciais a fim de minimizar e, se possível, evitar as restrições surgidas pela falta das informações gerenciais no processo decisório de uma organização.
Segundo Siqueira (2009), a Contabilidade Gerencial propicia informações para gestores das organizações e, em termos gerais, para os usuários internos das empresas, sendo um instrumento essencial para gerir qualquer empreendimento. Ela fornece informações “financeiras e operacionais” para funcionários e gestores. A definição de Contabilidade Gerencial, de acordo com o Instituto de Contadores Gerenciais, é:

[...] o processo de identificação, mensuração, acumulação, análise, preparação, interpretação e comunicação de informações financeiras usadas pela administração para planejar, avaliar e controlar dentro de uma empresa e assegurar uso apropriado e responsável de seus recursos (SIQUEIRA, 2009, p. 2).

As informações econômicas podem ser classificadas de várias formas, porém as informações contábeis são divididas em financeiras ou gerenciais pelos contadores. No entanto, é preciso fazer a distinção entre ambas. As informações da Contabilidade Financeira são úteis para usuários externos, como credores, instituições governamentais, acionistas ou o público em geral. Ela demonstra os resultados e a condição financeira da organização conforme os princípios da contabilidade. Já as informações da Contabilidade Gerencial contêm dados históricos e estimados, que são úteis nos planos para as atuações futuras e na formulação de estratégias de negócios. Ela se baseia em dados passados e prevê estimativas subjetivas de futuras decisões que auxiliarão na administração (WARREN; REEVE; FESS, 2008).
No atual mundo globalizado, com um mercado altamente competitivo, as empresas necessitam ser dinâmicas e objetivas nas suas tomadas de decisão. Para que suas decisões sejam acertadas, devem possuir o maior número de informações possível, embasadas em fatos concretos que traduzam fielmente a realidade da situação de seu empreendimento. Para isso, a Contabilidade Gerencial é extremamente útil, pois fornece informações pertinentes para as decisões e estratégias de negócios, tais como redução de impostos, investimentos, gestão de custos, dentre outros. Processos gerenciais compõem informações que auxiliam gerentes, administradores, diretores e executivos na execução de suas decisões e na maximização de seus lucros (MIOTTO, 2006).
As Microempresas e as Pequenas Empresas sofrem de modo diferenciado o impacto do ambiente, pois como sua estrutura é micro ou pequena, como a definição pressupõe, elas têm recursos limitados, o que exige cuidados especiais dos seus gestores. Muitas vezes o empreendedor não tem tempo para analisar todas as variáveis possíveis que influenciam nos resultados do seu negócio, ficando assim exposto às intempéries do mundo corporativo. Nesse contexto, a existência da Contabilidade Gerencial bem fundamentada em informações confiáveis, torna-se a bússola que o guiará no cipoal de políticas públicas e privadas que gravitam no mundo dos negócios em tempos globalizados. Infelizmente, nem sempre o micro e o pequeno empresário acham importante a Contabilidade Gerencial, seja por desinformação ou por ignorância administrativa, o que, muitas vezes, os levam ao fracasso nos seus empreendimentos. Assim, fica clara a necessidade de contadores dignamente éticos que os auxiliem na implantação e no uso das ferramentas gerenciais que darão a eles o devido suporte na tomada de decisões (LACERDA, 2003).
Sobre a importância da gestão contábil nas MPE, Callado, Almeida e Callado (2005) afirmam que a simplicidade aparente das micro e pequenas empresas pode sugerir que elas podem ser simplificadamente administradas. Isso não é verdade, pois seus princípios administrativos são os mesmos das grandes organizações. Esse segmento difere, apenas e tão somente, no volume de informações, sendo essencialmente igual em todos os processos e controles. A maximização dos lucros bem como a minimização dos prejuízos passam, invariavelmente, pela Contabilidade, o que a torna imprescindivelmente relevante na tomada de decisões. Se ela for desprezada, certamente o fracasso abaterá o negócio, seja ele micro ou macro.
Gonçalves e Losilla (2011) afirmam que a essência de uma organização está na qualidade das informações que balizam as decisões dos seus gestores. Dessa forma é evidente que os relatórios de controle devem ser exatos e incontestáveis para que a tomada de decisões possa ser convertida em lucro e riqueza. Não é a dimensão de um negócio que lhe dá importância e, sim, a forma como as organizações, nas pessoas de seus gestores, valorizam ou não o ferramental à sua disposição fornecido pelo setor contábil.
As micro e pequenas empresas prestam um excelente serviço à sociedade brasileira, pois elas absorvem a maior parte da mão de obra nacional. No tocante ao faturamento, a fatia delas no PIB também é de excelente expressão. Mas, infelizmente, esse seguimento tem tido muito insucesso, fracasso esse atribuído sempre à falta de capital, não sendo essa, no entanto, a única causa desses prejuízos. Se de um lado a conjuntura econômica e o cipoal tributário dificultam a aquisição de crédito, por outro a inexperiência dos gestores tem colaborado para a decepção nesses empreendimentos. Talvez essa percepção da gerência das micro e pequenas empresas esteja atrelada ao perfil desses negócios serem sempre de origem familiar. Num ambiente tão restrito parece que o gestor não tem consciência do significado e importância das informações contábeis para a tomada de decisão. Logo, o mais importante a fazer é preparar esses gestores oferecendo-lhes sistemas e processos administrativos, especialmente Sistemas Contábeis, que lhes possibilitem ter uma visão holística do empreendimento, diminuindo assim a frustração dos seus administradores (CIA; SMITH, 2000).
Sendo assim, esse artigo buscou analisar a relevância da contabilidade para a gestão das micro e pequenas empresas, sob a ótica dos gestores na cidade de Hortolândia, verificando a visão destes sobre a relevância da contabilidade e observando possíveis tendências ou preconceitos com relação à utilização da contabilidade para gestão de seus empreendimentos. Esta análise foi feita por meio de uma pesquisa de campo

MÉTODOS

Com o intuito de verificar qual a relevância da contabilidade na ótica dos gestores das Micro e Pequenas Empresas da região de Hortolândia foi feita pesquisa descritiva, quanto aos fins; bibliográfica com pesquisa de campo, quanto aos meios; e quantitativa, quanto à abordagem.
Para isso foi feita a pesquisa de campo que teve como recorte os gestores das Micro e Pequenas Empresas da região de Hortolândia. A aplicação do questionário (Apêndice A) foi previamente agendada com os responsáveis, tendo ocorrido entre os dias três de fevereiro e quatro de março de 2015.
O questionário foi composto de vinte e três questões fechadas, com questões dicotômicas e questões de múltipla escolha. Foi aplicado um pré-teste com cinco gestores da cidade de Hortolândia, que não fizeram parte da amostra, sendo que, reduzidas as possibilidades de erros nas questões, o questionário foi aplicado com setenta e cinco gestores da referida região.
No questionário foi verificada a visão que os gestores têm sobre a relevância e a utilização da Contabilidade na condução de suas Micro e Pequenas Empresas, assim como o seu grau de conhecimento neste âmbito.
Num primeiro momento foram abordadas questões de caráter individual (Tabela 1), como sexo, faixa etária, formação, ramo e função na empresa gerida, número de funcionários, faturamento, tempo de atuação, dentre outros. Em um segundo momento foram elaboradas questões sobre o conhecimento do gestor com relação à contabilidade, e em seguida perguntou-se aos respondentes sobre a aplicação dos elementos da contabilidade gerencial nas organizações. A análise dos dados colhidos foi feita tendo como parâmetro a utilização ou não da Contabilidade Gerencial na gestão de empresas de Micro e Pequeno Porte e os resultados de sua utilização.

RESULTADOS E DISCUSSÕES

Com o intuito de analisar a relevância da contabilidade para a gestão das micro e pequenas empresas, sob a ótica dos gestores na região de Hortolândia, e de observar possíveis tendências ou preconceitos concernentes à visão dos mesmos com relação a utilização da contabilidade, foram analisados os dados da pesquisa.
Foi solicitado aos gestores que respondessem sobre sua atuação na condução das Micro e Pequenas Empresas, para que se pudesse analisar sua visão sobre a importância da contabilidade na orientação de uma organização. A grande maioria (n=73; 97%) afirma que a contabilidade é feita de forma terceirizada, por um escritório contábil. Sua totalidade (n=75; 100%) afirma que a pessoa responsável pelas informações contábeis de sua empresa é o contador.
A principal razão para a utilização dos serviços da contabilidade, de acordo com a opinião dos questionados foi: 47% (n=35) para utilizar em pagamento de guias de impostos, 25% (n=19) para aplicar em caso de dúvidas com relação à Legislação específica, 17% (n=13) para ter embasamento para a tomada de decisão e 11% (n=8) para receber relatórios contábeis da condição da empresa.
A maior parte deles (n=54; 72%) afirma que entre as principais razões para a utilização da contabilidade estaria o pagamento de impostos e sanar as dúvidas com relação às leis. Contudo, a importância das informações contábeis vai além do que simplesmente para tais fins. Apenas 17% deles utilizam as informações contábeis como base para sua tomada de decisões. Crepaldi (2004) declara que estas informações nortearão as decisões e darão agilidade às ações. Sendo que o mercado é altamente competitivo e a concorrência proporcionalmente desleal deve-se lutar com prudência utilizando estratégias racionais para sobreviver neste universo. Padoveze e Benedicto (2007) corroboram esta informação ao dizer que o objetivo da análise econômico-financeira de uma instituição é fornecer um olhar panorâmico sobre períodos contábeis anteriores para que a tomada de decisões seja executada com convicção e transparência.
Ainda no levantamento das informações, referente à maior preocupação no gerenciamento, em primeiro lugar (n=30; 40%) os gestores disseram ser a resolução dos problemas já existentes, seguida pelo controle das atividades (n=26; 35%), vindo em último lugar o planejamento das atividades (n=17; 23%). Segundo Padoveze e Benedicto (2007), a contabilidade é importante não só para fundamentar as resoluções, sendo sumamente importante para o planejamento estratégico e o controle econômico-financeiro da organização. Como se vê, a percepção dos entrevistados difere em parte desta orientação.
Dentre as doze opções disponíveis nas áreas de maior atenção na empresa, conforme o Gráfico 1, as seis áreas em que os respondentes dedicariam maior atenção seriam Vendas (n=51; 68%); Financeira (n=40; 53%), com contas a pagar e receber; Tributária (n=24; 32%); Marketing (n=21; 28%), com atenção à divulgação; Concorrência (n=18; 24%) e Planejamento (n=17; 23%), sendo que, apesar de não constarem nas seis primeiras, esta última é seguida de perto por Formação do Preço de Venda (n=16; 21%) e Custos (n=15; 20%).
No entendimento da maioria dos entrevistados, a área de Vendas merece maior atenção, sendo que Marketing e Concorrência estão no rol das principais preocupações dos gestores. Isto demonstra que eles estão atentos às estratégias utilizadas para alavancar seus negócios, observando os concorrentes que se encontram em seu entorno. Contudo a Financeira configura como a segunda maior preocupação, pois segundo os princípios da contabilidade financeira isso mostra a saúde do empreendimento ao público externo, tais como: acionistas, credores ou autoridades governamentais, como afirma Crepaldi (2004). Logo, é de suma importância que tais relatórios representem condignamente a saúde da empresa. Concomitantemente, para o mesmo número dos consultados o planejamento é visceralmente indispensável, pois consoante ao entendimento deles, é planejando que se avista o rumo que mostra o caminho da conquista do sucesso empresarial. Atrelada à área financeira sua preocupação também é dedicada aos tributos, pois estes influem diretamente no faturamento da empresa. E, para aqueles que consideram Planejamento, Formação do Preço de Venda ou Custos áreas que merecem atenção na empresa, pode-se verificar que também julgam como sendo uma peça indispensável para suas consecuções.
Quanto à ferramenta utilizada no controle financeiro de sua empresa, em primeiro lugar 22 respondentes (29%) se utilizam de um caderno ou outro instrumento, sendo seguida de perto (n=21; 28%) pela utilização de planilha do Excel. Surpreendentemente dezenove entrevistados (25%) declararam não fazer controle financeiro em seu negócio, enquanto 16%, (n=12) empregam um software próprio para o gerenciamento contábil. Um dos respondentes não preencheu esta questão.
Relativo à periodicidade da elaboração do Fluxo de Caixa a grande maioria (n=67; 89%) afirmou que é diária, vindo em seguida a frequência mensal (n=5; 7%). Em terceiro lugar, um respondente (1%) afirmou fazer a elaboração semanal, enquanto outro afirmou não fazer a elaboração. Neste quesito os valores são nulos para a elaboração bimestral, trimestral, semestral e anual. Quanto à periodicidade do Balanço Patrimonial e da Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) os valores foram exatamente os mesmos (n=74; 99%) para a elaboração anual, sendo que um gestor não respondeu esta questão e os demais períodos foram zerados.
Em caso de dificuldades acerca dos assuntos contábeis a grande maioria (n=66; 88%) recorre ao seu contador, enquanto três gestores procuram auxílio no SEBRAE e três fazem cursos específicos para este fim, vindo a seguir (n=2; 3%) aqueles que buscam consultoria externa.
Ainda foi verificado que 37% dos gestores das empresas (n=28) utilizam a informação contábil para medir o desempenho do empreendimento, enquanto vinte e um deles (28%) se apropriam dela para avaliar os impactos financeiros. A seguir (n=13; 17%), eles a usam para o acompanhamento de metas e em último lugar (n=11; 15%), em um número relativamente alto, estão aqueles que não usam a informação contábil para fins gerenciais.
Através destas informações foi possível perceber que 29% dos respondentes faz uso apenas de um caderno para controlar financeiramente sua firma, sendo praticamente o mesmo número (28%) os que se utilizam de uma planilha do Excel. Esses números deixam transparecer que esses administradores estão dispostos a atribuir-se todo o perigo embutido no negócio, pois em assim agindo estão assumindo todo o risco do insucesso. Porém, de forma surpreendente, foi verificado que dezenove gestores não fazem nenhum controle financeiro em sua empresa, o que configura um suporte improvisado de controle e contraria as orientações anteriores de autores como Crepaldi (2004) para que seus empreendimentos tenham maiores chances de sobrevivência. Para apenas 16% da amostra processada, a utilização de software para o gerenciamento contábil é o ideal para a obtenção de relatórios conclusivos que orientarão a tomada de decisões. Essa postura confirma que os grandes desenvolveres de software,como DELL, IBM e ORACLE, estão na direção certa, ficando por conta dos gestores, por meio dos seus agentes contábeis a orientação desses fornecedores na produção de tais ferramentas (MORAES; TERENCE; ESCRIVÃO FILHO, 2004).
As constatações desse trabalho mostram que, na maioria dos casos (88%), os respondentes recorrem ao contador em caso de dificuldades concernentes aos assuntos contábeis, ficando claro que esses gestores não correriam risco sem aconselhamento profissional e de boa procedência.
Além de quesitos em que os respondentes descrevem sua atuação na gestão de seu empreendimento, foi feita uma análise do conhecimento que os gestores têm da Contabilidade.
Os respondentes classificaram a intensidade com que utilizam as ferramentas ou controles Contábeis/Financeiros/Gerenciais na gestão de sua empresa. As questões contemplaram os processos e as ferramentas contábeis.
Como resultado foi observado que (Tabela 2) os processos que são mais usados, Controle de Contas a Pagar (n=67; 89%) e Controle de Contas a Receber (n=65; 87%) tiveram os resultados muito próximos. Em terceiro lugar o processo que também é muito usado é o de Formação do Preço de Venda (n=60; 80%), sendo que Controle de Estoques segue com 56% (n=42). Análise de Investimentos (n=59; 79%) configura como o processo que mais gestores afirmaram não usar.
Observou-se que, dentre as ferramentas contábeis, financeiras e gerenciais, a mais usada é o Fluxo de Caixa (n=58; 77%), sendo seguida pela Demonstração do Resultado do Exercício (n=48; 64%), sendo que neste caso nenhum respondente afirmou não usar esta ferramenta. De acordo com vinte e oito dos respondentes (37%), o Balanço Patrimonial é uma ferramenta muito usada. Um número expressivo das ferramentas contábeis, financeiras e gerenciais foram classificadas como não utilizadas, de acordo com os respondentes: Planejamento Tributário (n=66; 88%); Orçamento Real e Orçamento Projetado (n=61; 81%), tendo os mesmos valores e Análise das Demonstrações Contábeis (n=46; 61%).
Esses dados mostram que aparentemente o fluxo de informações contábeis está sendo subutilizado pelos gestores, tendo em vista que processos e ferramentas contábeis, financeiras e gerenciais, tais como Análise de Investimentos, Planejamento Tributário, Orçamento Real e Orçamento Projetado e Análise das Demonstrações Contábeis, que dariam grande suporte a suas decisões, estão ficando de lado ignorando parte da ajuda disponível nas Ciências Contábeis.
Por fim, ao relatar seu conhecimento com relação à Contabilidade, dentro de uma Escala Likert de 1 a 5, foi observado (Tabela 3) que a maior parte dos respondentes demonstrou não ter muito conhecimento concernente aos processos contábeis, sendo que a maioria dos quesitos foi classificado como de Pouco a Médio Conhecimento (de 1 a 3). Gestão de Micro e Pequenas Empresas (n=5; 7%) foi o que mais gestores disseram ter Muito Conhecimento (5), apesar de o número ser consideravelmente pequeno. Contabilidade Gerencial e Gestão de Empresas de Serviços (n=0; 0%) não tiverem respondentes afirmando conhecerem bem da área. Estrutura e Análise das Demonstrações Contábeis e Contabilidade Gerencial (n=64; 85%) foram os assuntos em que os gestores mais disseram ter Pouco Conhecimento.
Na avaliação das porcentagens acima percebe-se que os gestores reconhecem ter pouco conhecimento na ciência da contabilidade, ficando aparentemente a condução de seu empreendimento neste vetor a cargo do contador. Conforme Velter e Missagia (2010), este é um campo que merece mais atenção, pois a contabilidade registra, analisa e controla aspectos que são relevantes para a preservação do patrimônio das organizações, sendo que elas fornecem informações que subsidiam a tomada de decisão.
Ainda, conforme Crepaldi (2004), a contabilidade é imprescindível para a vitalidade financeira de toda e qualquer instituição, pois ela registra os custos, dívidas, ativos, passivos, como também todas as negociações ocorridas. A que se lembrar que as Micro e Pequenas Empresas necessitam de uma atenção redobrada, pois os gestores destas são tendenciosos em tomar suas decisões no improviso, comprometendo a permanência destas no mercado corporativo.
Sobre a visão dos gestores vê-se uma distorção nas prioridades em se tratando das ferramentas da Análise de Balanço, pois privilegiam a Demonstração do Resultado do Exercício (64%), como sendo um item importante a observar, ignorando totalmente relatórios extremamente importantes como o Orçamento Projetado e o Orçamento Real, dos quais depende o sucesso da missão que realizam. Lamentavelmente consideram informações importantes apenas o Fluxo de Caixa (77%) e com um pouco menos o Balanço Patrimonial (37%), infelizmente menosprezando, com 0%, o Orçamento Real, o Orçamento Projetado, a Análise das Demonstrações Contábeis e o Planejamento Tributário. Essa avaliação denota inexperiência na utilização das ferramentas contábeis, demonstrando que este setor fica totalmente a cargo do contador.
Em se tratando do Fluxo de Caixa, 89% afirmam que o fazem diariamente, denotando determinação em manter o controle do empreendimento bem visível e dominado mentalmente; 7% executam essa tarefa mensalmente, o que torna difícil o controle; e apenas um o faz semanalmente, sendo que o mesmo índice infelizmente nem sequer o faz. Com relação ao Balanço Patrimonial e a Demonstração do Resultado do exercício os resultados foram idênticos, sendo a periodicidade anual a realização de ambos.
Da amostra analisada, 64% se reconhecem inaptos em assuntos contábeis, um número extremamente alto, sendo que praticamente no mesmo percentil (15% e 14%) os respondentes declararam ter conhecimento nível 2 e mediano; apenas 3% deles declara ter discernimento nível 4, enquanto 2% afirmam ter domínio do assunto.
Apesar do declarado despreparo do grupo, 7% se dizem conhecedores da Gestão das Micro e Pequenas Empresas, sendo que apenas 1% deles atesta muito conhecimento em Contabilidade Geral / Financeira, Demonstrações Contábeis, Contabilidade de Custos e Estrutura e Análise das Demonstrações Contábeis. Lamentavelmente nenhum dos respondentes declarou ter bom conhecimento em Contabilidade Gerencial ou Gestão de Empresas de Serviços.

CONCLUSÃO

A Contabilidade está intrinsecamente ligada a todas as modalidades de empreendimentos e, em particular, às Micro e Pequenas Empresas. Especialmente a Contabilidade Gerencial é indispensavelmente importante para gerir eficazmente estes novos empreendimentos, tendo-se condições de decidir com segurança. Justifica-se, portanto, que os dados contábeis devem ser criteriosamente coletados, classificados e analisados para que os resultados sejam conclusivos. Os gestores das Micro e das Pequenas Empresas não precisam ser cientistas contábeis para gerirem seus empreendimentos. Contudo, é necessário que tenham familiaridade com as informações fornecidas pela Contabilidade Gerencial, Contabilidade Financeira e ou Contabilidade de Custos para conduzirem com segurança seus negócios.
Segundo Cornacchione Júnior (2008), a Contabilidade estuda e interpreta as ocorrências que atingem o patrimônio das organizações, sendo essa ferramenta de extrema importância. Porém, respondendo aos questionamentos, verifica-se na população pesquisada que há algum despreparo na utilização das informações contábeis como instrumento de gestão e planejamento financeiro. Foi observado que, no geral, há pouco conhecimento dos processos e ferramentas da contabilidade, como também a importância destas ferramentas está em descompasso, ora priorizando as de menor importância, e principalmente pelo menosprezo às que realmente são essenciais no processo decisório.
Analisando subjetivamente a postura dos entrevistados constata-se que os respondentes não detêm o conhecimento básico da contabilidade, entregando ao contador todos os trâmites concernentes a este assunto, o que muitas vezes faz com que não lhe seja dado o real valor. Pelo despreparo e inexperiência da maior parte dos gestores percebido pelos resultados desta pesquisa, deduz-se que necessitam compreender com maior profundidade e amplidão a real relevância desta ciência para conduzir com vitalidade seus empreendimentos.
Em se tratando de coadjuvantes do mundo corporativo a pesquisa mostra que aqueles que buscassem maior conhecimento da gestão contábil seriam um time de administradores melhor preparados para os desafios que a cada dia são lançados pelo ambiente empresarial. Logo, supõe-se que os demais são gestores que tomam suas decisões improvisadamente, sem o embasamento das informações contábeis que tradicionalmente não são fornecidas pelo contador.
Sendo assim, conclui-se que caso houvesse uma visão holística dos gestores das Micro e Pequenas Empresas haveria maior garantia de que estas teriam, durante a sua gestão, maiores chances de sobrevivência no mundo corporativo.
Neste trabalho houve o esforço de se fazer uma pesquisa que abrangesse um bom número de gestores das Micro e Pequenas empresas da região, mercado ainda em franco crescimento na cidade de Hortolândia e adjacências. A amostra poderia ser mais representativa, contemplando um número maior de gestores, o que foi um limitador desta pesquisa.
Para isso, sugere-se para pesquisas futuras: replicar a pesquisa procurando alcançar um maior número de pesquisados, tendo um resultado mais abrangente e fazendo a comparação dos resultados com a presente pesquisa; comparar os resultados desta pesquisa com a pesquisa feita em 2013 com os formandos em Administração da cidade de Hortolândia, analisando seus resultados.

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Recibido: 07/01/2016 Aceptado: 16/03/2016 Publicado: Marzo de 2016

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